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No universo de Harry Potter, a plataforma 9 ¾ é a mais conhecida interseção entre os mundos dos bruxos e dos trouxas (os não-bruxos). É através dela, na Estação King’s Cross, em Londres, que os passageiros pegam o Expresso de Hogwarts.
É a única plataforma dos bruxos, inserida entre tantas usadas pelos trouxas. É uma porta mágica para a realidade de Hogwarts, mas que ficou tão famosa porque, na obra de J.K. Rowling, fica localizada em uma estação ferroviária de verdade.
Com o sucesso assombroso dos livros e dos filmes no início do século, a administração da King’s Cross instalou a plataforma 9 ¾ na estação. O local virou ponto turístico para os fãs dos bruxos.
Mas há outros lugares do mundo real que passaram a ser associados com o universo Harry Potter. Um deles é polêmico — e com algo que não tem nada a ver com as declarações e posicionamentos transfóbicos da criadora da série.
Praia da confusão
Um parêntese: eu sou contra spoiler e sou contra o argumento de que ele tem prazo de validade, aquele papo de que se um filme é velho o problema é seu que não assistiu. Se você nunca viu “Chinatown” ou “O Sexto Sentido”, por exemplo, acho um desserviço quem chega contando o fim de uma cena, não interessa que o filme tenha 25 ou 50 anos.
Dito isso, os parágrafos seguintes contêm spoilers medianos da saga Harry Potter. Então, caso você não tenha visto e deseja fazê-lo um dia, esteja avisado.
Freshwater West, uma praia melancólica no País de Gales, foi cenário de um dos momentos mais tristes de toda a série. Em “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” (2010), o elfo Dobby, ferido por um golpe de adaga, morre nos braços do protagonista.
O herói decide dar ao fiel amigo um enterro digno e sem magia, ali mesmo, na praia. Foi o suficiente para que a cena, assim como a plataforma 9 ¾, atravessasse a fronteira da ficção e fincasse sua existência no plano real.
Isso porque os fãs mais convictos da série criaram um memorial a Dobby na praia. Pembrokeshire virou mais um ponto do turismo potteriano, apesar do fato de que, no livro, Dobby morre na costa da Cornualha, na Inglaterra, e não no País de Gales.
“Aqui jaz Dobby, um elfo livre”, diz a placa sobre uma pilha de pedras deixadas por admiradores do personagem. Há mensagens de agradecimento, gratidão e amor, o que pode ser tocante ou apenas estranho, a depender de como se enxerga a situação.
É uma tumba de verdade para um personagem fictício. Quer dizer, tecnicamente é um cenotáfio, pois não há um elfo enterrado ali (pelo menos não nesta dimensão).
Para completar, o local é tão real que ele já criou problemas aqui, no nosso mundo dos trouxas. Não só uma, mas duas vezes.
fonte:uol